quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

ESTAMOS MESMO VOLTANDO AOS TEMPOS DA BARBÁRIE?

Por menos que queiramos reconhecer, vivemos nos dias de hoje o mesmo tempo de barbárie vivido na Antiguidade.  Falo de barbárie nas relações entre os homens - com a explosão da violência (como em Roma, Grécia, etc...) - ,  na área social, onde a mão-de-obra é explorada de maneira quase escravista (Não podemos deixar de considerar que a escravidão só foi abolida porque pagar um salário irrisório é muito mais  barato do que alimentar e dar saúde a um escravo), onde as políticas sociais genuínas vão sendo pouco a pouco suprimidas.
Se decênios atrás os governos tinham papel social, a revitalização do caduco e cruel liberalismo econômico (sob o nome neoliberalismo) deu-lhes outra função muito diversa, que é a de sustentar a solidez financeira das empresas em prol unicamente das empresas, relegando os trabalhadores a meras peças de trabalho com o encargo de produzir a cada vez mais, sem no entanto colher os frutos do próprio empenho.  Exemplo disto é o fato de os empregados coreanos trabalharem lonquíssimas horas em troca de ganhos absolutamente insuficientes, quer na China como em outros países da Ásia e da Europa.  É a neoescravização das classes trabalhadoras, a nova miserabilização dos pobres, que se arrima na antidemocracia dos países desenvolvidos para os estrangeiros e no autoritarismo ou despotismo esclarecido, para seus próprios povos, de inúmeras nações africanas, latinoamericanas e européias oriundas do extinto Pacto de Varsóvia.  
A tentativa de Portugal, Grécia, França,  Estados de direito mais dignos da expressão, no sentido de reformar a previdência e suprimir ou reduzir direitos sociais bem corrobora o que digo.
No campo das relações internacionais, enquanto algumas décadas atrás os países mais poderosos, como os Estados Unidos,  agiam com mais sutileza e um certo cuidado diplomático antes de empreenderem uma invasão ou carnificina, hoje este tipo de prática se dá de forma evidente, clara, sob o nariz e os olhos arregalados da opinião pública mundial.
Se nos ativermos ao caso específico do Brasil, que não enfrenta nenhuma guerra internacional, vemos que age com complacência na guerrilha urbana em prol do crime que enfrentamos.  Motivos? Negligência, desinteresse por parte das autoridades quanto ao caos urbano que vivemos, envolvimento de alguns homens incumbidos de lutar contra práticas facinorosas, preocupação exacerbada dos políticos em não trabalharem senão para a conquista de um novo mandato já a partir do dia em que tomam posse.   Mais: a violência urbana há muito deixou (se um dia foi) de ser razão de preocupação para os que vivem da carreira política.
E por aqui não só se negligencia sobre a violência e a segurança, mas também sobre a educação, a habitação e a saúde, e isto é um fator gerador de guetos de produção de criminalidade em larga escala. 
Como repito há muito tempo, todos nós, trabalhadores, dirigentes públicos e privados, pequenos e médios empresários, somos como bilhas que auxiliam no movimento de engrenagens imensas, sendo importantes apenas quando agrupados, pois juntos fazemos girar a pleno vapor essa gigantesca roda que só resulta  em frutos para as famílias e grupos mais abastados do planeta.  Da mesma forma como no passado o mundo produzia para que o resultado de tanto labor fosse revertido para os poderosos de Roma.
A meu ver, infelizmente, de nada adiantariam revoluções e mais revoluções, guerras e mais guerras, sublevações e mais sublevações, porque o sistema tem um instinto de autopreservação demasiadamente aguçado e conseguiria sobreviver a qualquer coisa que se parecesse com mudanças, inserindo seus representantes em toda hipotética nova ordem, para recuperar com impressionante brevidade os espaços que aos olhos mais ingênuos parecessem perdidos.
Em conclusão, o que digo é que, apesar do aumento da incidência dos casos de crueldade nos últimos não indicam que estejamos voltando aos tempos da barbárie, mas que a barbárie, sim, é que nunca se ausentou dos tempos. 

Barão da Mata

sábado, 11 de janeiro de 2014

O TRISTE LEGADO DE ARIEL SHARON


Morre Ariel Sharon após oito anos de coma.  Com todo o respeito ao povo judeu, esse homem está para mim longe de ser  um herói ou exemplo a ser seguido.  Odiado pelo povo palestino, no início da década passada, quando a OLP e Israel estavam a um passo de selar um acordo de paz, visitou território palestino considerado sagrado; intuito: acirrar os ânimos do povo subjugado e jogar por terra a então iminente conciliação.  Seu objetivo foi alcançado, e a guerra perdurou até os dias de hoje.  Muitas mortes, flagelos e tragédias continuaram acontecendo em decorrência do seu gesto provocativo.   E um povo (palestino) dominado permaneceu sob o jugo do outro, e muitas vidas vêm sendo ceifadas até a presente data por conta dos conflitos.  Nenhuma criatura deveria viver sujeita aos desmandos de outra, muito menos nenhuma gente deveria viver tiranizada por outra.  Por isto, não vejo motivo algum para lamentar a morte de um homem que tantou mal causou a tantos homens.

Barão da Mata

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A MINHA GRANDE IMBECILIDADE EM TER TENTADO CONTAR COM A GLOBO

tomei conhecimento de que o "Fantástico" veiculou uma matéria em que ensinava como preparar uma tartaruga para degustação.  Mas que imbecil eu fui!  Acho que eles se cansaram de fazer o papel do policial bonzinho.  Sugiro que nas próximas edições instrua o público sobre como cortir couro de onça, caçar tatu, anta, paca, lobo-guará, capivara, etc...
É ISSO AÍ! MOSTRA, GLOBO, A TUA CARA!

2014

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A PESCA PREDATÓRIA EM NITERÓI E A INDIFERENÇA DAS AUTORIDADES QUANTO AO SEU PAPEL


Praia de Itaipu: o que poderia ser um paraíso

No sábado, 03 de janeiro de 2014, fui tomar umas cervejas na praia de Itaipu, Niterói e, num determinado momento, ouvi uma barulheira, uma certa algazarra ao redor, mas não me abalei, porque em geral sou indiferente ao que a turba faz à minha volta.  A moça que conversava comigo, entretanto, chamou-me a atenção para o fato de tratar-se de pescadores que haviam invadido a praia, que é área de preservação ambiental, e que ainda haviam pescado, entre peixes,  tartarugas - que a todo momento põem ali a cabeça fora d'água para respirar.  Levantei-me de imediato para conferir e, quando me disseram que haviam pegado peixes e quelônios, fiquei indignado e comecei a gritar desesperadamente que aquilo era pesca predatória e que não podia continuar.  Não fora preciso porém que eu me manifestasse, porque, dos dois barcos que ali predavam, trazidos por duas traineiras,  um já fora apreendido com uma rede por banhistas e alguns voluntários que protegiam o balneário. 



A embarcação foi suspensa do chão e levada com a rede para uma área da areia bem distante das águas.  Era uma malha extremamente minúscula, mal passaria pelos orifícios algo do calibre de uma caneta esferográfica.   Estávamos todos muito indignados, e eu liguei para o serviço 190 da PM, onde se limitaram a me informar o número de telefone da Capitania dos Portos, que eu nem sequer pude ouvir por conta do barulho à volta. 
Mais de uma hora após a apreensão do barco, compareceu um fiscal do INEA (Instituto Estadual do Ambiente) e limitou-se a chamar uma viatura para recolher  o bote com a rede, da qual uma testemunha levou um pedaço para tentar fazer prova policial.  Esta pessoa pedia, inclusive, que a Guarda Costeira fosse contatada imediatamente, pra que se pudesse lavrar o flagrante, mas o representante do Instituto parecia mouco aos seus e nossos apelos. 
Fiquei por ali até quase nove da noite, deixando os homens a discutir, entre os quais havia um que informou que filmara tudo.  Agora, morador do Rio, saí de Niterói umas duas horas depois e não sei o desfecho que teve a história.   
O que sei é que a Guarda Costeira não foi acionada, que alguns banhistas afirmaram que outros episódios de pesca de mariscos, sardinhas de ínfimo porte e tartarugas são frequentes naquela região e que a guarda Costeira, quando chamada, nem sequer se abala.  Mais ainda: disseram que aqueles piratas vêm do sul país em busca de iscas para atuns, que "limpam" todas as pedras marinhas de toda forma de vida que nelas se incrustam, que pescam os maiores e os menores filhotes de peixes que por ali se aventuram e não perdoam as tartarugas, prato muito servido em restaurantes que se dão a querer servir comidas exóticas.
Cheguei a uma certa hora a receber um telefonema da polícia, que perguntou se os piratas estavam em terra ou no mar, ao alcance das viaturas.  Respondi que estavam ao largo (os banhistas e pescadores não os prenderam) e ouvi que então nada mais os policiais podiam fazer, sendo então a questão de competência das autoridades marítimas.
As perguntas que me faço e nos faço são:  por que, quando liguei, a PM não fez imediato contato com a polícia marítima, já que isto, sim, era de sua competência?  Que papel têm neste contexto a Capitania dos Portos e a Guarda Costeira? 
No dia seguinte, à tarde, liguei para a TV Globo, tentando sugerir a matéria ao "Fantástico", porque tinha certeza de que pouca coisa aconteceria se a imprensa não fosse mobilizada.  Passei todos os detalhes que tinha, inclusive o nome do bote apreendido: SKIPER II.  O que depreendi foi que, se o assunto não interessar à Globo, tudo, inclusive as tartarugas que supostamente (ou realmente) foram capturadas e neste momento já foram provavelmente degustadas, será mais um crime ambiental que ficará impune.
Dias antes já ligara eu, aqui do Rio, para a prefeitura do Munícípio e especificamente para a Secretaria de Proteção e Defesa aos Animais, dando conta do desaparecimento e dos rumores de possíveis maus tratos a animais, e a entidade não se dispôs a mandar um fiscal sequer para apurar a questão, afirmando que o caso era para autoridade policial. Assim, eu teria de saber o culpado ou culpados e ainda ter testemunhas, além de  de peticionar formalizando a acusação.
Outra pergunta que faço é a seguinte: por que os órgãos de fiscalização, policialmento e repressão de crimes no Brasil não funcionam?  É como se se recusassem assumir o seu papel e as suas atribuições.  A última pergunta que faço a mim, aos governos em todos os âmbitos e à própria mídia é: se os órgãos encarregados de certas  funções não as cumprem, que país, por favor me digam(!), que país é este onde vivemos?  

Barão da Mata  

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

ELES NÃO DEFENDEM A CIÊNCIA, MAS A CRUELDADE

Reconheço que sofismar é algo que, na maioria das vezes, requer talento e competência.  Não é para qualquer imbecil. Pois do contrário fica um monte de palavras e ideias sem fundamento atiradas ao léu. Embora reconheça a inteligência de quem sabe induzir o locutor a refletir de modo errado, não vejo o sofisma com muita simpatia, porque em geral vem acompanhado de uma dose cavalar de sordidez.  
Digo isto porque foi com imensa revolta e  indignação que li e vi os que na mídia defenderam o uso de cães da raça beagle e outros animais como cobaias para experimentos em laboratórios.  Houve um cientista (ou alguém que assim se disse) que afirmou que aquela atitude dos salvadores em relação aos cães martirizados pelo infame laboratório prejudicava a pesquisa contra o câncer.  Gozado: não sabia que câncer se combatia com cosméticos.  Este, cientista ou não, se enquadra entre os sofistas idiotas - ou, se é gênio, é do mal, e, sinceramente, um gênio bastante babaca nos argumentos.  Um leitor se manifestou n' "A Folha" e, achando que dizia algo pejado de extrema sabedoria e conhecimento técnico, chamou atenção para o fato de que era preciso que entendêssemos que são cães que não são de estimação, mas para utilização como cobaias.  Se o argumento vale, os sádicos amanhã vão fazer atrocidades com crianças pobres, alegando que não são crianças de estimação, mas criadas para fins de pesquisa.  Sugeriria que a mãe do pústula, que certamente é uma criatura sem nenhum valor estimativo, seja colocada no lugar dos torturados cachorrinhos, porque não tenho dúvida de que é uma puta da pior qualidade, dessas que armam arapucas para seus "clientes" serem roubados ou furtados.  Dois pesquisadores com cara de puxa-saco de patrão, em entrevista ao "Fantástico", alegaram a impossibilidade de se fazerem experiências sem animais, mas foram contestados por um biólogo inglês renomado que mostrou que há, sim, como trabalhar em pesquisas usando células de tecidos humanos, o que pouparia até os ratos indefesos e dóceis que os algozes utilizam em suas atrocidades.  O Ernesto Paglia, excelente garoto de recados dos Marinho, bem que tentou que os entrevistados que se opõem às práticas de perversidades adotassem outra posição, mas estes últimos foram firmes e seguros em suas convicções.
Ver gente defendendo o desrespeito à vida e à integridade física e psíquica dos indefesos e inocentes animais dá uma profunda tristeza de viver num mundo onde um número considerável de pessoas não respeita a vida, a dor e o sofrimento que não ocorre em si próprias. Não vou jamais dizer que são assim porque são humanos: a Nicole Puzzi, a Luíza Mel, os ativistas que salvaram os animais e a comissão de deputados federais que solicitou o fechamento do laboratório durante as investigações também são seres humanos, mas parecem de estirpe bastante diferente:  compassivos, lutadores, heroicos,  corajosos, compreensivos, sensíveis, avessos a creueldades e mais enquadrados ao pensamento de boa índole de Alberto Schweitzer, Francisco de Assis, Mahatma Ghandii, outros famosos e não-famosos dotados de bondade e de sangue nas veias.
O mundo está cheio de psicopatas perversos, e o número de soldados que os líderes mais cruéis da história arrebanharam para os seus empreendimentos expansionistas bem o prova, e aqueles que preconizam o uso dos bichinhos para cobaias nos trabalhos da Ciência são como os militares da SS e da Gestapo, como os perversos guerreiros que se apossam dos despojos de guerra entre estupros, matanças, humilhações, torturas, atos hediondos e lamentáveis.  Alegam que fazer sofrer os animais é o meio mais fácil, prático e barato, mas na verdade o que os fascina é matar, causar dor, sofrimento lancinate, e se comprazem em martirizar qualquer criatura mais fraca e inapta para a autodefesa, num exercício de maldade e sadismo que lhes é indispensável e essencial como o ar que respiram.  São pessoas horripilantes, de uma crueldade sem medidas, de uma demonicidade que não os difere dos grandes carrascos do crime ou mesmo da lei, quando esta se põe ao lado dos mais iníquos objetivos.
São pessoas que sentem um prazer insano em cortar, decepar, mutilar, retalhar, envenenar, capazes de ficarem horas intermináveis a se comprazer em observar as mais longas e deploráveis cenas de dor e sofrimento. 

Barão da Mata

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

TEMOS A TV QUE MERECEMOS?



Alguém é capaz de explicar em que absurdo se transformou a programação da TV aberta brasileira? Foi assim, meio depressa, meio devagar. E a gente sempre querendo crer no poder de escolha do telespectador. Quando acordamos, aquele velho e conhecido cubo luminoso tinha virado uma película delgada. Mas não é sua aparência, o que preocupa, é realmente o conteúdo.

 

Digamos que numa quina da tela, está o Pânico. O programa, que outrora carregava no humor non sense, carregou tanto que ficou ininteligível, e perdeu a graça. 

 

No outro canto, o retorno de João Kleber, com força total! ele com seus testes de fidelidade acima de qualquer suspeita.

 

As velhas novelas continuam monopolizando assunto por aí, como de costume. Ganharam outra dinâmica, é verdade. Os dramas vão e vêm com maior velocidade. Mas para resumir, atualmente, enquanto anseiam pelo beijo gay, vão testando a tolerância e vencendo, aos poucos, a resistência da audiência mais tradicional e conservadora.

 

O incrível mesmo encontramos na TV do Bispo. Lá vem o seu reality show rural em que os participantes são celebridades. O programa tornou-se, recentemente, uma tempestade de cusparadas na cara entre os "artistas". Coisa de pedir socorro ao Ratinho, de envergonhar qualquer um, menos a equipe do programa, que exibe, satisfeita, toda a baixaria, como se fosse uma entrevista do Amaury Junior no Copacabana Palace.

 

O mais assustador ainda está por vir. Não parece óbvio  que as "celebridades", ainda que não sejam artistas de verdade e sim oportunistas despreparados, deveriam prezar por sua imagem e manter assim a "boa fama", com o objetivo de construir uma carreira de sucesso? Então, por que, num programa de "famosos", esses indivíduos escancaram este comportamento sub-humano, mesmo sabendo que podem estar sendo observados por milhares, até milhões de pessoas?

 

Pois, amigos, ainda que conhecedor da predileção do Homem pelo sensacionalismo e pela polêmica, sempre acreditei que havia um limite para isto. Mas qual foi minha surpresa quando descobri que o espetáculo de cusparada alavancou a audiência do programa, dando sinal verde para os camponeses da TV usarem e abusarem da saliva.

 

Hipocrisia? Falso moralismo? Será mesmo? Pela primeira vez na vida me vejo do outro lado da questão. E todo aquele papo de que só assiste a porcarias quem quer, virou balela. Diante da falta de opções, o controle remoto virou uma arma sem munição. Ao menos para aqueles que não podem pagar para ter uma programação por assinatura.

 

Não quero, de forma alguma, propor uma Tropicália às avessas para pedir a volta da censura. Liberdade de expressão sempre. Isto não é uma questão de censura. É de bom senso.

 

Leônidas Falcão


 

 

 


 Cartaz das manifestações de 20/06/13 no Rio de Janeiro

 

 

sábado, 20 de julho de 2013

É NECESSÁRIO INVESTIGAR CRITERIOSAMENTE OS ATOS DE VANDALISMO

É preciso muito cuidado, sobretudo por parte das autoridades, na hora de avaliar sobre os atos de vandalismo praticados por delinquentes oportunistas, nas manifestações que reivindicam políticas públicas e  maior (ou alguma) seriedade na atuação dos políticos. É necessário separar o joio do trigo com muito esmero e muita cautela, porque, em primeiro plano, penso que quem tem algo para reivindicar e quer os seus pleitos atendidos, não sai por aí depredando patrimônio público ou privado.  Perder a credibilidade, creio eu, é tudo o que os manifestantes - e falo manifestantes de verdade - não querem.  Isto voltaria a opinião pública contra eles, daria munição aos governos para tomarem atitudes duras e drásticas, e eu lhes garanto que quem se engaja na luta em que se engajaram aqueles jovens não quer que tais coisas aconteçam.
Oportunistas e provocadores há em toda parte, e a história bem sabe disto.  O "cabo" Anselmo (soldado de primeira classe confundido por um jornalista com cabo por suas divisas), por exemplo, é um caso antológico que o Brasil conheceu.  Sublevou a classe dos marinheiros a pretexto de obter melhores condições para a categoria, mas na verdade fora incumbido (dizem que pela Cia) de ajudar a desestabilizar o governo Jango, em decorrência do perfil esquerdista do presidente.
O "Jornal do Brasil", em um de seus últimos anos de existência, narrou que no período ditatorial um mercenário americano viera ao Brasil com três missões.  Uma delas não me vem à memória, mas as outras eram: explodir a catedral da Sé, em São Paulo, e o próprio Consulado Americano.  Finalidade: pressionar os militares brasileiros a serem ainda mais cruéis com os comunistas, os guerrilheiros e os mais radicais opositores do regime.  O mesmo objetivo tinha, segundo dizem,  o brigadeiro Miguel Burnier, que conforme algumas versões ordenara o Capitão Sérgio Carvalho a explodir o gasômetro do Rio de Janeiro, às dezoito horas, momento de pique de trabalhadores querendo voltar para casa, com o objetivo de que a culpa caísse sobre os ombros dos mesmos lutadores contrários à ditadura que citei, com o fito de justificar práticas ainda mais duras contra aqueles. 
Oportunistas, vândalos e marginais  surgem em todos os movimentos, pois são elementos que vivem do caos ou a ele são afeitos.  O próprio movimento dos sem-terra, no tempo em que foi mais atuante, contou com a participação de muitos desocupados, aventureiros, gente desempregada de todas as profissões e que nunca cultivara um pé de couve sequer.  Mas eram, repito, oportunistas.
Se há provocadores, gente encarregada de atos criminosos por alguma ou algumas pessoas ligadas a partidos ou governos, não se pode descartar que os governantes podem perfeitamente não ter conhecimento de quem seriam estes mandantes, da mesma forma como Gregório Fortunato atentou contra Carlos Lacerda sem o conhecimento de Getúlio Vargas.  Assim, não venho aqui acusar nenhum  político, autoridade ou mandatário, mas todos sabem muito bem que há eminências pardas que são mais realistas do que os reis e vão às raias da imundície e da perversidade para não verem ameaçadas as benesses que o trânsito dentro do poder lhes traz.
Gente ligada ao crime organizado também pode estar promovendo saques e destruições, obviamente com o intuito de desestabilizar a ordem sócio-política, porque se tornam fortes num clima de tumultos e confrontos entre o poder público e cidadãos, fazendo logicamente estes dois últimos enfraquecidos. 
Não podemos esquecer a existência dos vândalos inatos, que os são por excelência, e de ladrões independentes, que agem de moto próprio, sem a orientação de ninguém.
Assim, é preciso que sejam efetuadas mais prisões, que alguma medida de emergência seja tomada para que os depredadores e ladrões não sejam liberados pouco tempo após a detenção, para que sejam realizadas investigações mais acuradas sobre essas pessoas e deste modo os legítimos manifestantes não caiam no desgaste e no descrédito perante a opinião pública, porque isto só faria mal à própria sociedade como um todo.

Barão da Mata